A SpaceX agendou para o dia 22 de setembro a sua primeira tentativa histórica de colocar a Starship em órbita ao redor da Terra. O lançamento histórico corresponderá ao 14º voo de teste do megafoguete, figurando como uma das fases mais cruciais para o avanço e consolidação do projeto.
A decolagem está programada para ocorrer na base Starbase, localizada no sul do Texas (EUA), dentro de uma janela operacional de 75 minutos. O cronograma prevê a abertura da janela às 9h15 (horário de Brasília).
Apesar de ter estreado em 2023 e já contabilizar 13 voos de teste realizados, todos os lançamentos anteriores da Starship seguiram estritamente trajetórias suborbitais. A missão programada para setembro configurará, portanto, o primeiro momento em que a empresa tentará inserir o estágio superior do colossal veículo — que mede 124 metros de altura no total — em órbita.
“Chegando à órbita, a próxima fase do desenvolvimento da Starship para ser totalmente e rapidamente reutilizável poderá começar”, destacou a SpaceX por meio da descrição oficial da missão.
O perfil deste voo também trará mudanças significativas em relação às etapas anteriores. Caso o planejamento seja cumprido integralmente, o Ship completará seis voltas completas ao redor do planeta a uma altitude aproximada de 275 quilômetros. Na sequência, a espaçonave executará uma manobra de retorno para amerissar no Oceano Pacífico, a oeste do Chile, cerca de dez horas após a decolagem.
Em contrapartida, nos testes suborbitais passados, o veículo permanecia em voo por cerca de 65 minutos — sem circundar o globo — antes de cair no Oceano Índico, nas proximidades da costa da Austrália Ocidental.
Ainda que o patamar da missão seja altamente ambicioso, a empreitada não tentará executar um dos procedimentos mais esperados pelo público: a captura do estágio superior utilizando os braços mecânicos presentes na torre de lançamento da Starbase.
De acordo com informações do portal TechCrunch, o CEO Elon Musk optou por descartar planos anteriores de tentar resgatar o Ship nesta oportunidade, avaliando que uma eventual explosão representaria um obstáculo severo demais para o ritmo atual de desenvolvimento do programa.
Dessa forma, o propulsor Super Heavy realizará um pouso controlado nas águas do Golfo do México aproximadamente sete minutos após deixar a plataforma, repetindo uma dinâmica já testada em missões passadas.
Para esta nova empreitada, a companhia implementou ajustes cruciais de hardware e software no propulsor, buscando sanar falhas detectadas no voo anterior. No 13º teste, conduzido em julho, o Super Heavy enfrentou instabilidades ao tentar reacender seus propulsores após o processo de separação do estágio superior.
Adicionalmente, a SpaceX aplicou modificações estruturais no escudo térmico da Starship, fundamentadas nos dados coletados e analisados a partir do estágio superior recuperado após o 13º teste.